Neuropsicologia

O que é?

A Neuropsicologia é uma área interdisciplinar que surgiu da interligação entre a Psicologia e a Neurologia, e que estuda a relação entre o comportamento humano e a sua base neurológica.

Alexander Luria, um dos principais nomes da Neuropsicologia, defendia que o nosso cérebro é um sistema funcional complexo no qual os processos mentais como percepção, memória, raciocínio, leitura, escrita, aritmética entre outras, não estão limitados a uma área particular do cérebro, mas interligados de forma sistémica através de três unidades: I (tronco cerebral e sistema límbico); II (lóbulos parietal, temporal e occipital) e III (lóbulos frontais).

Mais tarde, António Damásio alargou o campo da Neuropsicologia mostrando que o nosso comportamento não depende exclusivamente do nosso cérebro, mas também da interacção com o corpo através das emoções, que denominou de “marcadores somáticos” − mecanismos automáticos que suportam as nossas decisões a partir de experiências emocionais anteriores que ficam gravadas no córtex pré-frontal, sob a forma de sensações corporais.

Para que serve?

A consulta de neuropsicologia, normalmente, conduzida por um psicólogo clínico com especialização em neuropsicologia, pode ser dividida em duas partes: avaliação neuropsicológica e reabilitação cognitiva.

A avaliação neuropsicológica consiste numa avaliação quantitativa e qualitativa das funções cognitivas, comportamento e emoções comparando os resultados obtidos com aqueles que são esperados em indivíduos com a mesma idade e escolaridade, fundamentando ou não prováveis diagnósticos e défices cognitivos associados à possível patologia.

A avaliação neuropsicológica realiza-se perante queixas ao nível de:

  • - Memória;
  • - Atenção/concentração;
  • - Resolução de problemas;
  • - Cálculo;
  • - Alterações da linguagem;
  • - Alterações do comportamento e personalidade.

É uma avaliação essencial após acidentes vasculares cerebrais (AVC) e traumatismos crânio-encefálicos (TCE), nas doenças demenciais degenerativas como o Alzheimer, em doentes com perturbações psicóticas (esquizofrenia) ou com doença bipolar e em todas as situações em que os indivíduos ou familiares notam alterações no seu dia-a-dia, em tarefas anteriormente simples de realizar. Esta avaliação dispõe de instrumentos específicos e é normalmente solicitada pelo médico de clínica geral ou familiar, neurologista ou psiquiatra, com quem o neuropsicólogo trabalha em estreita articulação.

Por exemplo, imaginemos que, de forma súbita, começou a esquecer-se de várias coisas ou a desorientar-se no espaço e no tempo. A avaliação neuropsicológica permitiria verificar se existiria um défice cognitivo. Em caso negativo, tranquilizar-se-ia e perceberia que as suas queixas decorriam do normal processo de envelhecimento, condições de vida no momento ou de outra perturbação psicológica como a depressão. Caso se objectivassem défices cognitivos reais,elaborar-se-ia um plano de intervenção adequado – reabilitação cognitiva.

Assim, com os dados da avaliação neuropsicológica, é possível delinear e realizar um plano de intervenção especializado de reabilitação ou de estimulação cognitiva, perspectivando a recuperação total do défice ou a estabilização dum processo de deterioração, adaptação ao mesmo e acompanhamento à família, se necessário. Felizmente, a maior parte dos casos não diz respeito a perturbações neurológicas graves e, uma vez que o sistema nervoso é neuroplástico, ou seja, é capaz de se adaptar e reorganizar as suas propriedades, reequilibrando-se e reabilitando-se de lesões físicas ou mentais, poderemos trabalhar e reabilitar as funções cognitivas.

Referências

DAMÁSIO, A. (1995). O erro de Descartes – Emoção, Razão e Cérebro Humano (2ª ed). Lisboa: Publicações Europa-América.

LURIA, A. R. (1976). The working brain – Introdution to neuropsychology. New York: Basic Books.

Protocolos Académicos Psinove

Faculdade de Psicologia Universidade de Lisboa
Universidade Europeia
Associação Nacional de Estudantes de Psicologia