Perturbações de Personalidade

O que são?

As Perturbações de Personalidade (PP) são padrões rígidos e duradouros de formas de relacionamento, percepção e pensamento acerca de si mesmo/a e do que o/a rodeia que não o/a permitem estabelecer relações estáveis de forma satisfatória para si e/ou para os outros. Este tipo de perturbações começam, regra geral, a manifestar-se na adolescência, podendo manter-se ou agravar-se na idade adulta, sendo passiveis também de estabilizar e até perder intensidade em idades mais avançadas.

É importante olhar-se para as PP como formas de adaptação ao meio, ou seja, muitas vezes não resultam de défices funcionais no organismo, mas sim de esforços das pessoas para se adaptar e restaurar o equilíbrio com os outros e consigo mesmas, ainda que com resultados negativos.

Como se manifestam?

As PP são diagnosticadas se o padrão de pensamento, emoção, relacionamento e controlo de impulsos for inflexível, duradouro e acontecer em muitas situações pessoais e sociais. O sofrimento intenso e significativo é também um critério de diagnóstico, tendo impacto negativo ao nível do funcionamento social (ex: isolamento social, incapacidade de estabelecer relações, comportamentos exagerados no relacionamento com os outros), ocupacional (ex: a actividade profissional começa a sofrer as consequências deste tipo de funcionamento), entre outros.

É natural que as pessoas com este tipo de dificuldades se sintam olhadas de forma diferente pelos outros, criticadas ou julgadas, uma vez que se desviam das expectativas e convenções sociais, com muito sofrimento associado.

A forma que muitas pessoas com PP encontram para lidar com as suas emoções e sofrimento são frequentemente estratégias compensatórias (comportamentos para atenuar o sofrimento psicológico), de que são exemplo o consumo de substâncias, padrões desregulados no relacionamento com os outros (excessivo isolamento ou excessiva proximidade), automutilação, rituais compulsivos, formas de comunicação agressivas ou manipuladoras, entre outros.

Quais as possíveis causas?

Relações familiares disfuncionais, de abuso ou negligência (física e emocional), sem regras e limites definidos têm tendência a originar traços de PP. Além do meio e da história relacional, os fatores neurobiológicos e hereditários têm um pepel a ter em atenção no desenvolvimento de perturbações de personalidade, como na perturbação obsessivo-compulsiva ou borderline.

Quem é mais afetado?

Os estudos apontam para uma incidência de 10% a 13% de PP na população geral, um pouco superior nos meios urbanos, em pessoas solteiras e desempregadas e inferior na população idosa. A PP Dependente é a mais frequente e tem tendência a ser mais encontrada nas mulheres (a par com a PP Borderline).

Podemos observar a existência de distintas perturbações de personalidade: PP Anti-social, PP Borderline, PP Narcísica, PP Evitante, PP Dependente, PP Paranóide, PP Histrionica, PP Esquizóide, PP Esquizotipica e PP Obesessivo-Compulsiva.

Referências Bibliográficas

Barlow, D. H, (2007). Clinical Handbook of Psychological Disorders. (4 Ed) A Step-by-Step Treatment Manual. New York: Guilford.

J. C.Norcross & M. R. Goldfried (Eds.), Handbook of psychotherapy integration (2nd ...(2005). Handbook of psychotherapy integration (2nd ed.). New York: Oxford University Press

Millon, T., Grossman, S., Millon, C., Meagher, S., & Ramnath, R. (2004). Personality disorders in modern life (2nd ed.). Hoboken, NJ: Wiley.

Norcross, J. C. (Ed.). (2011). Psychotherapy relationships that work: Evidence-based responsiveness (2nd ed.). New York: Oxford University Press.

Protocolos Académicos Psinove

Faculdade de Psicologia Universidade de Lisboa
Universidade Europeia
Associação Nacional de Estudantes de Psicologia