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A sessão

Há tanto que é dito, sem se ouvir a voz, Há gestos tão cheios que escapam ao braço, Às vezes a tempo, outras fora de compasso, É vida contida, é vida feroz. Há raivas que acalmam e alegrias tão tristes Coragem nos medos, de alma em riste Há vida e há morte, há dor e prazer, Solidão e pertença, vontade de ser. Para lá de silêncios e enxurradas, Veneno nas veias, a língua que cala, Memória perdida, o futuro já gasto, Alcanço o sentido e liberto o nefasto. A pele que estranho, a cicatriz que cede, Encontrar o olhar que nada me pede. És presença sentida, que não ocupa espaço, Para que eu seja dono do que sinto e faço.

 

Internet... E agora?

Todos os dias somos acordados com notícias que nos deixam alerta: adolescentes, redes sociais, jogos e todo o mundo virtual que a internet tem tão acessível. Os jogos que apelam ao suicídio de jovens deixam as famílias assustadas. Mas será que também promovem a exploração de meios para ficarem mais atentas ao fenómeno intrafamiliar…? Sim, porque a proibição de aceder a este mundo não é possível, nem frutífera, e a internet tem tantos benefícios. A mudança ocorrida nas novas gerações tem intensas transformações. O impacto dessas modificações ainda desconhecemos, algumas delas têm, com certeza, influência nas relações humanas. A internet e toda a dinâmica associada à sua existência tem, por vezes, o poder de desconectar o ser humano do mundo real. Não é raro percebemos a dificuldade que o adolescente tem em deixar de usar o seu telemóvel. Em qualquer divisão da casa ou em qualquer outro lugar, com amigos, família ou sozinho, coloca mais um gosto numa imagem, troca mais uma mensagem, partilha uma foto. Alguns têm imensa dificuldade em estar muito tempo indisponíveis para responder a uma mensagem ou ver o que se passa nas suas redes sociais. Eles têm de ser os primeiros a ver as publicações, porque tardar em ver as comunicações pode significar perder algo que está a acontecer. Ver as notificações ou responder a mensagens brevemente (ou mesmo imediatamente) é a urgência diária da maioria dos adolescentes. Acordam com os telemóveis e adormecem com os telemóveis. Estar connosco próprios é tão importante, mas os adolescentes não têm tempo livre. Se estão num jardim não reflectem sobre si, porque estão com os outros, mesmo através da internet. Estão sempre ocupados a pensar em toda a informação que é veiculada, não reflectem sobre os acontecimentos recentes ou passados ou os seus sentimentos. Não se olham, nem aos outros. Os adultos impõem regras no que diz respeito à utilização do telemóvel, mas raramente são respeitadas. Algumas dicas a ter sempre em conta: - Reforçar a ideia do perigo de conhecer pessoas através da internet, partilhando alguns exemplos sempre presentes nas notícias; - Avaliar a importância de supervisionar os diversos conteúdos vistos principalmente pelos mais jovens e vulneráveis; - Estar atento às compras virtuais dos adolescentes; - Canalizar intensamente a ideia de não passar informação pessoal do próprio ou da família; - Orientar os jovens acerca da necessidade de transmitir a um adulto algo que se passe neste mundo virtual que sinta mais estranho ou ameaçador. E estar sempre mais presente, controlando a vontade de estar no mundo virtual, disfrutando do mundo real.

 
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