Dar-se o tempo que é preciso…

Dar-se o tempo que é preciso…

 

 

Hoje em dia tudo se quer com o prazo mais curto possível: chefes que querem as coisas prontas ontem, pais que desejam que determinadas fases dos filhos “passem depressa”, namorados/as que esperam mudanças rápidas no companheiro/a…

É preciso entender que tudo na vida tem um tempo próprio e não respeitar esse mesmo tempo é queimar etapas do processo, especialmente quando falamos no desenvolvimento pessoal, emocional ou psicológico.

Na psicoterapia, os meus pacientes perguntam-me algumas vezes (principalmente no início do processo) quanto tempo vai demorar a terapia. Nunca lhes minto: a terapia demora o tempo que os seus processos internos precisarem para ser regulados e transformados, umas vezes são meses, outras vezes é preciso mais tempo. Explico-lhes também que depende do seu próprio investimento em si mesmos/as, do empenho em colocar em prática o que surge em cada sessão, a vontade para reflectir sobre si verdadeiramente e lidar com as fragilidades que possam encontrar… É um processo complexo em muitos casos, mas é feito acompanhado pelo/a terapeuta e com o ritmo e intensidade que cada pessoa suportar a cada momento.

As pessoas não são obrigadas a saber como funcionam os seus processos emocionais internos e é, também, para isso que a psicoterapia existe: para ajudar a entender os automatismos e padrões, com que experiências (muitas delas precoces) foram criados e como podem ser transformados e ultrapassados.

Cada aprendizagem tem o seu tempo e o seu momento e há que respeitar isso, mas acima de tudo, há que respeitar os seus ciclos, as suas emoções, a sua intuição e sensações internas, essa é a maior aprendizagem que esta sociedade actual parece precisar de fazer.

É necessário entender que se está muito cansado/a deve procurar descansar, mesmo que ainda tenha trabalho para fazer, sob o risco de contribuir para um estado que mais tarde o/a vai obrigar a “parar à força”.

É necessário entender que ninguém é perfeito e assim como às vezes os outros erram, também você o faz. Se não guardar tempo para entender o que motivou esse erro (cansaço, distracção, desconhecimentos, etc.) e aceitar que isso acontece, é bastante provável que o volte a repetir. A psicoterapia permite-lhe ter espaço e tempo para olhar para tudo isso e aprender consigo mesmo, fazendo ligeiramente diferente numa próxima vez ou exactamente igual mas já com mais consciência do que aconteceu.

Em vez de andar a correr para cumprir todos os objectivos que traçou ou que foram traçados para si, guarde algum tempo para reflectir como correu o dia, que aprendizagens pessoais e emocionais sobre si e sobre os outros fez, que coisas quer tentar fazer diferente (ou igual) no dia seguinte, que conquistas quer reconhecer e valorizar em si mesmo (tem o direito de orgulhar-se do que faz, sabia?)…

Há processos de crescimento que demoram tempo e se lhes dermos esse mesmo tempo, eles desenvolvem-se mais “rápido”… são como as plantas, com as quais precisamos de gastar tempo a fazer mudas de terra para que possam ter mais espaço para crescer melhor.

Pela sua saúde mental e emocional, dê-se tempo… tempo para respirar, tempo para fazer a aprendizagem bem, tempo para fazer o que lhe apetece e não só o que tem de ser feito, tempo para não fazer nada sem culpa.

 

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