Plataformas de encontros: E porque não?

Plataformas de encontros: E porque não?

 

 

Um estudo de 2017 mostra que nas gerações de pessoas entre os 20 e 30 anos, a maior parte dos casais conheceu-se online. Apesar destes dados serem norte americanos, também em Portugal é cada vez mais frequente esta realidade. Depois de se conhecerem, o que acontece é que descobrem quais os amigos reais em comum e o mais provável é existirem vários. E são também os mais novos que falam com maior naturalidade sobre este assunto.

Investigação crescente mostra que as relações iniciadas online têm uma probabilidade ligeiramente maior de sucesso comparativamente com aquelas em que as pessoas se conhecem por outros meios. Outros estudos mostram que é equivalente, mas o que nenhum mostra é que o sucesso é menor. A vantagem, a existir, parece estar na maior abertura com que as pessoas falam delas próprias e do que procuram numa relação quando estão atrás de um ecrã, percebendo mais rapidamente se existe interesse mútuo.

É entre as gerações mais velhas que os preconceitos e a vergonha de assumir esta utilização é maior. E são exactamente os recém separados da faixa etária a partir dos 35 quem mais poderia beneficiar desta forma de conhecer pessoas e onde em sessões de psicoterapia mais ouvimos o desalento e falta de esperança sobre o tema “encontrar alguém”. Nesta fase, a vida social costuma estar mais reduzida por indisponibilidade de tempo e compromissos profissionais, os grupos de amigos estão muitas vezes em casal e são já grupos fechados onde é pouco provável que se conheçam novas pessoas. A somar a tudo isto, ainda existem os filhos pequenos cujos horários e rotinas dificultam a espontaneidade de estar no sítio certo à hora certa para encontrar o amor da sua vida.

Para além de preconceitos sobre esta utilização, há pessoas que não o fazem por medo que me parece injustificado se cumprirem algumas regras básicas:

  • Não partilhe informação sua que o torne facilmente identificável (nome completo, contacto telefónico, fotos onde seja fácil identificar onde está, local onde trabalha, etc.). No fundo, as regras que também ensinamos aos nossos filhos para os proteger nas redes sociais.
  • Lembre-se que as pessoas que ali estão são as mesmas que estão no mundo cá fora. Há de tudo e cabe-lhe a si estar certo do que pretende de uma relação e o que é essencial num potencial parceiro/a. E mantenha as expetativas baixas, será pouco provável encontrar logo alguém com quem sinta afinidades. 
  • De acordo com o tipo de relação que procura, escolha a plataforma mais apropriada: se quer ter encontros casuais e sem compromisso o “Tinder” ou o “Hapnn” podem ser os mais adequados. Se, por outro lado, procura um relacionamento mais longo e com compromisso, então há vantagens nos que fazem algum tipo de matching (cruzamento de dados que se traduz numa percentagem de compatibilidade) até porque estes sites obrigam a um maior investimento na realização do seu perfil e partilha de informação. Será legítimo assumir que quem responde a 500 perguntas sobre si próprio está mais motivado para entrar num relacionamento do que quem apenas põe uma foto. Em Portugal, com estas características, existem o “Meetic” e o “Okcupid”, por exemplo. 
  • Não deixe a idealização típica do início das relações ganhar demasiado espaço, não fique muito tempo a imaginar como é a pessoa. Procure que exista um encontro real passados alguns dias, assim também consegue perceber se o outro está à procura de uma relação ou utiliza estas plataformas como companhia mínima contra a solidão mas não está disponível para algo mais. 
  • Para o encontro real, procure baixar ainda mais as expetativas. Uma coisa são compatibilidades, outra é química e atração. As plataformas online só lhe permitem perceber a primeira, terão que se encontrar para perceber o resto. 
  • Por último, lembre-se que são só um atalho para o primeiro encontro, o resto é responsabilidade sua ou vossa. Por isso, culpar as plataformas online pelo fracasso das suas relações amorosas fará tanto sentido como achar que o culpado pelo fracasso do seu primeiro casamento foi aquele amigo que vos apresentou.

 

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