Psicoterapia online da perspetiva de uma terapeuta

Psicoterapia online da perspetiva de uma terapeuta

 

 

Quando já muitos psicoterapeutas em várias partes do mundo faziam terapeia online e até já havia investigação a comprovar a sua eficácia, eu continuava a resistir à terapia online. Achava que era muito distante e que não permitia fazer trabalho terapêutico aprofundado. Mas quando alguns pacientes meus foram para fora do País e a terapia continuava a fazer-lhes falta, aceitei e adaptei-me. Depois começaram a aparecer pedidos de pessoas que preferiam uma psicoterapeuta que falasse português e que partilhasse a mesma cultura do que terapia presencial numa língua estrangeira e sobretudo com um terapeuta com um referencial bastante diferente.

A primeira pessoa que acompanhei nestas circunstâncias estava a viver num País Nórdico e, neste caso em particular, compreender e regular o relacionamento com a família era difícil de compreender por um terapeuta que tinha sido educado numa cultura tão diferente em relação aos laços familiares com a família de origem que se mantém entre adultos. A seguir, começaram a aparecer pacientes com horários muito exigentes e para quem era mais vantajoso ter algumas sessões online e outras presenciais. Fui-me habituando e fui percebendo que a terapia online, sendo diferente da presencial, funciona. E pode ser por vezes mais próxima do que estarmos juntos na nossa sala do consultório. Por vezes, parece que estamos em casa do paciente.

Em Portugal, as sessões domiciliárias não são muito comuns, mas muitos de nós, em condições excecionais, deslocamo-nos a casa dos nossos pacientes. Sobre este tema um terapeuta que é uma referência para muitos de nós, Irvin Yalom, escreveu há uns anos um texto sobre as vantagens das consultas domiciliárias: entramos na vida do paciente de um modo mais real, vemos os seus espaços e interagimos com ele num local “seu”. Concordo inteiramente e tenho-me lembrado de alguns pontos comuns entre a terapia domiciliária e online. Uma paciente minha, usualmente tensa e muito rígida na sua postura quando estamos em sessão, estava muito mais descontraída e relaxada na nossa primeira sessão online. Não era só a postura, era-lhe mais fácil abordar assuntos difíceis porque se sentia mais segura e menos julgada. Foi uma mudança importante porque sentir-se mais livre e comunicar com maior espontaneidade são temas centrais da nossa terapia.

A terapia online pode não ser a resposta ideal para todos os pacientes nem para todos os terapeutas mas é muito mais rica do que à primeira vista pode parecer, e para mim está a ser.

 

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